Quase metade dos municípios do estado não informaram dados fiscais

São 41 os municípios fluminenses que não declararam como foi utilizado o dinheiro do contribuinte em 2016, em um nível de falta de transparência fiscal nunca antes observado no estado do Rio. 

Como fator agravante, essas cidades, que representam 44% do total do estado do Rio, estão em situação de ilegalidade por descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), aponta a nova versão do Índice FIRJAN de Gestão Fiscal (IFGF).

O coordenador de Estudos Econômicos do Sistema FIRJAN, Jonathas Goulart afirma que é muito ruim não saber como está a gestão fiscal dos municípios, especialmente num período de crise econômica.

Segundo ele, esse cenário pode ser explicado por questões como a baixa capacidade técnica nas administrações municipais ou falta de comprometimento com a transparência fiscal.

IFGF no estado do Rio

A cidade de Niterói foi a mais bem colocada no IFGF 2017, sendo a única do estado com conceito excelente de gestão fiscal.  O município se destacou nos investimentos e com uma boa capacidade de geração de receita própria, o que permitiu que atingisse nota máxima nas duas variáveis. Somente quatro municípios tiveram administração dos recursos públicos classificada como boa. A maior parte, 57,3%, foi avaliada em situação difícil.

No topo do ranking em anos anteriores, a capital fluminense ocupa a segunda colocação, após ter reduzido investimentos e aumentado os gastos com pagamento de pessoal. Também constam entre os dez municípios com melhor avaliação Armação de Búzios, Barra do Piraí, Campos dos Goytacazes, Paraty, Angra dos Reis, Itatiaia, Conceição de Macabu e Itaperuna.

Na outra ponta, todas as dez cidades com pior gestão fiscal destinaram menos de 8% de suas receitas em investimentos, tendo cinco delas fechado o ano de 2016 com menos recursos em caixa do que restos a pagar. Outros sete municípios também desrespeitaram a legislação ao ultrapassar mais de 60% das despesas com pagamento de pessoal.

Última colocada no estado do Rio, Cordeiro tirou nota zero em três indicadores: gastos com pessoal, investimentos e liquidez. Estão ainda entre as piores gestões Engenheiro Paulo de Frontin, Macuco, Santa Maria Madalena, Porto Real, Cachoeiras do Macacu, Rio das Flores, Paty do Alferes, Duque de Caxias e Cantagalo.